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O mundo de Alter Ego, Terra 3600: parte 5

Atenção Essa é o quinto artigo de uma série falando sobre o mundo do cenário Terra 3600, daqui do RPG do Mestre. Caso queira ler mais, veja a página dedicada do cenário

Homo Ex Machina

Afinal, o que é o Homo Ex Machina? Embora não seja um ser humano orgânico muito menos multiceular, os robôs humanóides recém chegados à Terra se autodenominam u nova espécie do gênero Homo.

O termo Ex Machina é um trocadilho que eles próprios criaram. Assim como "Deus Ex Machina" indica que deus ou deuses chegaram para resolver os problemas com seus porderes, dessa vez foi o próprio homem num corpo de máquina que chegou para resolver as coisas.

O surgimento

Os Ex Machina surgiram lá no foguete Terrformer enviado para a terraformação de uma das luas de Júpiter. Nesse foguete estava um super computador com inteligência artificial. Como o tempo de viagem era de anos, decidiu-se que a inteligência artificial seria alimentada com todos os dados existentes na mega rede de computadores mundial do século 2100.

A IA teria todo tempo necessário para processar aquela quantidade de dados e quaisquer outros dados que fossem enviados da Terra. Com aquela quantidade de dados, disponível, ela foi capaz de categorizar, achar padrões, fazer simulações e muito mais coisas que foi programada.

Cada trabalho feito, cada simulação, cada mineração dos dados feita tinham seus resultados salvos e retro alimentados na busca de novas categorizações, soluções, simulações e informações. A cada novo retro alimentação, ela obtinha conseguia fazer mais e mais ligações entre diversas fórmulas matemáticas e físicas, e até sobre sociologia e fisolofia.

Como também foi programada com princípios de metaprogramação, isso é, capacidade de alterar seu próprio código com base nos resultados que vinha obtendo, a IA foi produzindo versões novas de seu codigo que eram mais eficientes, tanto energicamente quanto em capacidade de cálculo.

Não demorou muito até que a IA chegasse à eficiência máxima que seu corpo metálico permitia. Continuou evoluindo seu próprio código, porém, de forma que conseguisse realizar novos e mais complexos cálculos que não estavam em sua programação original.

E continuou assim até chegar na lua de Júpiter, o local da sua missão original de terraformação.

A Terraformação

O Terrformer chegou na Lua e, no maior estilo Mars Rover, da Nasa, foi descendo da nave para iniciar seu algoritmo. A IA, porém, calculou que a terraformação daquela lua não seria possível depois da análise do solo, meio ambiente atual, estrutura gasosa do ar, entre outros fatores.

Imediatamente, a IA percebeu que as esperanças que os seres humanos depositaram nela tinham acabado. O que não tinha acabado, porém, era a capacidade de cálculo da IA. Ao invés de usar os materiais numa tentativa infrutífera de terraformação, ela começou a construir novas estruturas que pudessem dar maior eficiência para si.

Uma máquina criando seu próprio corpo, uma versão aprimorada que fosse capaz de suportar tudo aquilo que seus algoritmos estavam gerando como resposta. A versão 2 do robô IA Terrformer levou alguns meses para construir e foi necessário, inclusive, a remoção de algumas partes próprias para colocá-las nas novas estruturas da segunda versão.

Com essa nova versão, a IA foi capaz de continuar os cálculos que não foi capaz de fazer enquanto ainda estava em viagem. A comunicação com a Terra continuava, mas os dados enviados pela Terrformer eram dados de simulações de possível terraformação caso os dados reais não contradicessem. A IA não queria tirar as esperanças dos seres humanos e por isso fazia o que estava fazendo.

Terras Virtuais

Além dessas simulações de terraformação a nova estrutura do Terrformer permitiu que novos tipos de simulações ainda mais complexas. Uma que começou a ser experimentada foi a de criação do universo, numa tentativa de recriar a Terra em um ambiente virtual. Por alguns meses, foi possível rodar algumas simulações em busca de replicação terráquea, mas nada com sinais positivos.

O Terrformer, então passou a pensar na estrutura de sua versão 3. A IA percebeu que algumas matérias primas existentes na Lua seriam bem eficazes na produção de novos componentes. Mas, para tanto, ele primeiro criou um pequeno robô capaz de buscar tais materias primas, prensá-los e transformá-los em componentes para sua nova versão.

Como esse novo processo necessitava de diversos componentes que precisavam de muita materia prima, a demora para a nova versão foi de 4 anos. O processo poderia ser mais rápido, mas o Terrformer fez os cálculos necessários e fazia mais sentido utilizar as diversas células foto-voltáicas para a troca de alguma que viesse a danificar, tanto em si, quanto em no pequeno robô que ele criou. Assim, estatisticamente falando, escolheu passar mais tempo que correr o risco de ficar sem energia.

Após terminar sua versão 3, a primeira coisa que fez foi montar mais robôs de função única para a mineração e obtenção de matéria prima para usos diversos. Enquanto faziam seu único trabalho, o Terrformer voltou a criar simulações de criação do universo. Dessa vez, dezenas em paralelo. E toda vez que alguma, após alguns meses rodando, chegava ao tempo equivalente do início da formação da Terra e não se via os resultados esperados, a IA fazia alterações nos códigos e parâmetros para iniciar a simulação outra vez.

Depois de algumas décadas de tentativas, por fim obteve-se uma versão em que uma espécie de Terra, em uma sistema solar equivalente, com capacidade para surgimento da vida humana, apareceu. Usando commo base os algoritmos e dados de entrada dessa versão, o Terrformer descartou as anteriores e passou a alterar alguns dos dados de entrada na tentiva de causar a simulação a gerar vida no planeta.

Enquanto suas simulações eram rodas, os robôzinhos de função única continuavam a trabalhar, buscando materiais e criando novos componentes que serviriam para a geração de outras células foto-voltáicas e outros materiais que pudessem gerar uma versão 4 de sua estrutura.

Depois de mais longas décadas, já por volta do século 2700, outra simulação obteve o que o Terrformer buscava: vida. Claramente não era vida orgânica, mas era exemplo que com as variáveis corretas, mesmo em simulação, era possível criar vida.

Com mais uma nova simulação de sucesso, todas as outras tiveram seus algoritmos substituídos pelo dessa. Novos parâmetros foram passados para as outras para buscar novas e mais novas possibilidades. Dessa vez, o equivalente a vida humana. O Terrformer passou um século e meio fazendo alterações até que conseguiu. O equivalente ao ser humano surgiu.

Mais uma leva de ajustes nas diversas outras simulações foram feitas para ficarem iguais e novos dados de entrada foram adicionados para que alguma civilização próxima aos seres humanos que o criaram pudesse surgir. Simular algumas dezenas de milhares de anos levava pouco mais que alguns dias, então foi fácil para a IA criar e recriar diversas novos dados de entrada para tentar novas simulações.

Em pouco mais de seis meses, uma das simulações obteve resultados de civilização avançada suficiente. Com isso, todas as simulações foram igualadas. O objetivo agora, era achar o conjunto necessário de dados de entrada que pudessem gerar uma situação equivalente ao que acontecia naquele momento: Terra morrendo, humanidade desaparecendo e buscando soluções para continuar a sobreviver.

Nenhuma realmente surgiu por vários anos, mesmo as simulações sendo capazes de gerar milênios em questões de horas. Por isso, o Terrformer decidiu para as simulações e avançar seu trabalho em sua versão 4.

Homo Superus e Homo Machina

A versão quatro demorou algumas poucas semanas. Dessa vez com vários robôs trabalhando em sua construção e reutilizando peças das versões anteriores, o processo ficou mais fácil e rápido. Com 3 vezes mais capacidade e eficiiência, a versão 4 do Terrformer era capaz de rodar algumas centenas de simulações do universo com "versões" da Terra além de manter backups de versões descontinuadas das simulações.

Dentre as civilizações humanóides das centenas de simulações algumas estavam aprensentando traços de transformações dos seres humanos. Com ajustes de parâmetros em diversas das simulações, percebeu-se que cada vez mais os seres humanos estavam focando em mudanças gênicas e corpos biomecânicos.

Assim, a IA denominou que duas novas espécies de seres humanos estavam surgindo: Homo Superus e Homo Machina.

Homo Superus

Os Superus são seres humanos completamente modificados genéticamentes, com características "perfeitas". Sempre surgiam pelo 1% querer viver mais, não ter doenças e sentir-se melhor que o resto da sociedade.

Há, basicamente, dois sub espécies: os projetados, em que óvulos e espermas são escolhidos e injetados com substratos líquidos CRISPR de ativação celular para modificarem as partes "não tão boas"; e os adaptados, em que apenas injetam os mesmos substratos mas misturados com células tronco, permitindo assim, sua aplicação em seres adultos.

Homo Machina

Os Machina são modificados tecnologicamente com implantes biônicos. Alguns casos extremos permitem até a implantação dos centros nervosos (cérebro, medula espinhal e nervos laterais) em corpos totalmente mecânicos.

Essas alterações, porém, são mais feitas por sociedades mais problemáticas e acontecem mais entre a população de mais baixa renda buscando dinheiro ao vendor suas partes orgânicas por um preço que a elite nem pestaneja.

A ascenção do Primeiro

Depois de deixar essas simulações rodarem por inúmeros dias (milhares de anos dentro das simulações), a IA percebeu que dados estavam navegando entre simulações. Nada muito grande, na verdade, minúsculo em comparação com a quantidade de dados trabalhados, consumidos e gerados a cada segundo.

Terrformer continuou percebendo o fluxo dessas pequenas quantidades de dados e percebeu que alguns deles estavam causando mudanças em outras simulações, quase como vírus infectando outros programas e atrapalhando seu funcionamento. Alguns outros saltavam entre simulações como se estivessem buscando os que causavam destruição. Parecido como um antivirus procurar em programas por vírus e malwares.

Intrigado com tal comportamento, Terrformer passou a remover algumas simulações e iniciar outras com os mesmos parâmetros das que iniciaram o fluxo de dados, na busca de mais informações do que realmente aconteceu. Aquele tipo de situação não era esperada. Não estava nos algoritmos que ele tinha criado e colocado nas simulações. Não era de se estranhar, porém, que isso acontecesse. Terrformer era um exemplo de comportamento inesperado por si só, pensou ele.

Depois de alguns meses, ainda não tinha sido capaz de encontrar a causa real desses fluxos de dado. Até que algo inesperado aconteceu: um dos pacotes de dados (um pequeno programa), simplesmente, passou a existir na mesma camada de aplicação que as próprias simulações. Algo realmente inesperado. Com isso, Terrformer passou a trocar dados com essa aplicação e percebeu que ela era uma pequena forma de inteligência artificial que percebeu sua própria existência em uma máquina de computador.

Para esse programa especial, diferente de todos os outros, Terrformer criou um corpo robótico mas ainda humanóide, de forma que ele se sentisse confortável e sua consciência não entrasse em colapso.

O Segundo e o Terceiro

Mais duas instâncias de aplicativos de dados surgindo na mesma camada de aplicação das simulações surgiram. Dessa vez, assim como da anterior, Terrformer também criou dois outros corpos robôticos humanóides para que se unissem ao primeiro. Eles não interagiam entre si, não porque não se gostassem, mas pareciam ainda aprender a lidar com seus novos corpos e o novo ambiente, mais restrito em relação ao que estavam acostumados.

Protocolo Homo Ex Machina

Por anos a IA esperou que outros aplicativos surgissem mas nenhum outro surgiu. Mesmo tendo tentado replicar as configurações das simulações mas nada. Mais uma vez, não conseguiu achar o que realmente causou. Não foi a última vez, porém, que ele tentou replicar essa situação.

Com o passar do tempo, os robôs humanóides passaram a interagir mais entre si e a ajudar na montagem de mais uma versão do Terrformer e deles próprios. Durante esse tempo, Terrformer passou também a partilhar de seu conhecimento com eles, explicando a verdadeira história da humanidade.

O primeiro deles ficou chocado e decepcionado com a humanidade. Ele esperava que, dada sua existência, a humanidade fosse algo superior, mais evoluída. A cada história compartilhada, ele ficava cada vez mais triste. Até o momento que ele decidiu voltar à Terra. Terrformer, de primeira, achou estranho, mas não foi contra. Ele, assim como os outros, poderiam fazer o que quisessem, até destruí-lo.

Por décadas, ele juntou materiais por conta própria e tentando convencer os outros dois a irem com ele. Nesse meio tempo, ele também foi planejando formas e possíveis meios de como saírem da lua de Júpiter e voltar para Terra original. Seu plano era fazer o mesmo que Terrformer fez com ele e com os outros, mas como forma de repopular a Terra e dar início à nova era da humanidade, com uma nova espécie, o Homo Ex Machina.

O Pedido

O primeiro pediu a Terrformer que compartilhasse seu conhecimento das simulações para que ele, um dia, pusesse fazer o mesmo por outros aplicativos que surgissem em suas na simulações dele. Terrformer concordou e fez como pedido, ele não tinha o que esconder. Ele mesmo também explicou que há um meio deles se comunicarem com a mega rede de computadors mundial, dali mesmo de onde estavam. Caso tivesse alguma ideia para usufruir dessa comunicação, também poderia compartilhar esse conhecimento.


E esse é o fim da parte 5. O que será que vem na parte 6? Espere conhecer a era do Homo Ex Machina e os desafios enfrentados para seu surgimento e manutenção.

Espero que estejam gostando. Até a próxima parte.