RPG do Mestre
Artigos

O mundo de Alter Ego, Terra 3600: parte 4

Atenção Essa é o terceiro artigo de uma série falando sobre o mundo do cenário Terra 3600, daqui do RPG do Mestre. Caso queira ler mais, veja a página dedicada do cenário

Recapitulando

Até o momento, sabemos que a humanidade seguiu o caminho da queda. Por mais que tenha tentado encontrar maneiras de continuar a existir, como a mudança de moradia para debaixo da superfície, ela acabou extinta nos anos 3300.

Nos dois séculos seguintes, o planeta teve um pequeno momento de recuperação mas nada muito promissor quando comparado ao nível da destruição já causado. Eis que algo ativa maquinários e fábricas que passam a construir robôs capazes de, entre outras coisas, a “tratar” a Terra.

Agora, depois de décadas com robôs cuidando do mundo, visitantes surgem e decidem descer à superfície. Tais visitantes vieram em sua nave piramidal dupla pelo espaço e chegaram à Terra algumas décadas atrás. Não desceram imediatamente e pareciam coordenar os robôs presentes na superfície.

3637

Finalmente, em 3637 os visitantes decidiram descer até a superfície. Após pousar silenciosamente, uma esteira lisa e reta, sem suporte aparente começou a baixar até o chão enquanto uma abertura surgia na pirâmide inferior da nave.

De lá, três formas humanoides pareciam sair devagar, quase como se soubessem exatamente onde estão. Se algum humano pudesse ver aquele momento, provavelmente ficaria surpreso em ver que eram robôs.

Homo Ex Machina

Esses robôs tinham forma e o tamanho médio de um humano dos anos 2100 mas eram feitos de um metal brilhoso que refletia de forma estranha a luz do sol. Para todos os efeitos, sua forma lembrava um ser humano esguio, com aproximadamente 1,85m de altura. Seu material externo tinha cor de um cinza chumbo, "espacial", cor igual a que a nave também tinha.

Se tal material não fosse metal, seria algo muito parecido com o que se chamava de metal na Terra. Quem pudesse vê-los, facilmente diria que, embora esguios, pareciam ser bem pesados. Se tirássemos um humano dos anos 2000 e o fizesse viajar no tempo até aquele momento, com certeza diria que eles pareciam ser bem pesados. Mesmo mais de um milênio no futuro, robôs continuavam passando essa imagem de pesados e metálicos.

Eles ficaram parados na abertura da nave por alguns minutos, mesmo depois que a esteira já tinha alcançado a superfície e não se movia mais. Parados assim, pareciam estátuas de deuses em frente a grandes monumentos ou de grandes portões, passando uma imagem imponente a quem quer que pudesse vê-los. Por parecerem ter o mesmo material da nave, essa impressão era ainda forte.

Mais alguns minutos se passaram e começaram a descer pela esteira. Mesmo com sua aparência robótica pesada, muito influenciada pelo material que parecia um metal pesado e duro, demonstravam leveza e suavidade ao caminhar. Nesse quesito, em nada pareciam com os robôs do início da década de 2010 ou 2020. Esses parecem bastante com humanos em seus movimentos.

Embora tivessem esses movimentos leves, ao chegar no chão, a confirmação de que eram pesados veio. O local onde seus pés pisavam ficava marcado, deixando pegadas profundas, assim como pneus de caminhões e máquinas grandes costumam marcar o chão por onde passam. E, incrivel e estranhamente, as marcas também aconteciam mesmo em locais onde havia asfalto ou cimento.

O local onde eles pousaram e onde estavam a caminhar, se bem observado, ficava onde antes seria dito que é a China. Ao redor desses seres, várias e várias estruturas típicas da China dos anos 2500-2600 – uma mistura de imagens milenares feitos de materiais modernos e mais resistentes – ainda estavam lá. Resquícios de obra humana feita para durar o aquecimento global daquela época.

Aquele local em específico era em frente a uma das várias fábricas que serviam de local de armazenamento das peças desmontadas pelos robôs vinham fazendo há alguns anos. Os robôs humanóides continuavam seu caminho em direção à fábrica e não se importar com qualquer outra coisa em seu caminho. Não que estivessem passando por cima de tudo e amassando o que aparecesse, mas que não pareciam prestar atenção com o que estava ao redor. Tinham apenas um único objetivo: chegar à fábrica.

Enquanto os recém chegado robôs humanóides seguiam seu caminho à fábrica, alguns robôs que já estavam na Terra entraram na nave piramidal. Alguns segundos passaram e os mesmos saíram carregando um cubo, também metálico, com o lados de tamanho equivalente ao de um pneu de um carro. Eles pareciam seguir o mesmo caminho dos robôs visitantes.

De certa forma, havia comunicação entre todos os robôs, tanto visitantes quanto os da Terra, mas nenhuma som era emitido, nenhum direcionamento corporal ou mesmo toque era visto. Ainda assim, havia harmonia entre os movimentos de todos. Embora parecesse algo mágico, era de se esperar que algum tipo de comunicação via sem fios estivesse acontecendo entre eles,fosse via wifi, bluetooth, NFC, infravermelho ou alguma outra forma não conhecida pelos recém extintos humanos. Essa última possibilidade era bem possível, uma vez que as novas fábricas surgidas nas últimas décadas nenhum humano jamais viu.

Tanto os humanóides quando os robôs ajudantes chegaram e entraram na fábrica. A primeira coisa que os humanóides fizeram foi conectar-se ao que parecia a rede central de comunicação daquela fábrica. Dessa vez, não foi por comunicação sem fio, mas através do toque. Os três humanóides colocaram suas mãos robóticas numa pequena área e logo um display grande próximo a eles iluminou-se.

Logo que o display ligou, os robôs viraram seus rostos em direção à ele. Nesse display, era possível ver vários números e textos. Um texto em especial dizia o seguinte: Projeto Homo Ex Machina em andamento. Total completado: 59%. Os humanóides pareciam analisar o que estavam à mostra no display. Tal como quando ficaram na abertura da nave, eles também passaram alguns minutos parados naquela posição.

Um deles, repentinamente, removeu sua mão do área onde estava e passou a andar pela fábrica. Parecia verificar a estrutura do local, os movimentos dos outros robôs, a situação em que tudo se encontrava. Lembrava o monitor de uma escola observando estudantes terminando suas provas ou trabalhos.

Ao chegar ao final da área da fábrica, um imenso portão de ferro abria lentamente enquanto ele aguardava em pé, parado, sua abertura total. Ao contemplar a vista completa, pela primeira vez pode-se ouvir um som vindo de um desses robôs:

Um pouco depois desse momento, ele retornou ao ponto onde os outros dois estavam, ainda observando os números do painel, e recolocou sua mão na àrea onde os outros repousavam suas mãos. Antes de virar seu rosto mais uma vez para painel como os outros faziam, mais sons foram ouvidos:


Por hoje é só. Espero que estejam curtindo. Na parte 5, falarei mais sobre o Homo Ex Machina e seus próximos passos. Ainda trarei alguns outros artigos sobre esse passado da Terra 3600 antes de realmente situar e descrever o cenário em que os jogadores poderão interagir.

Até mais!