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O mundo de Alter Ego, Terra 3600: parte 2

AtençãoEssa é o segundo artigo de uma série falando sobre o mundo do cenário Terra 3600, daqui do RPG do Mestre. Caso queira ler mais, veja a página dedicada do cenário

Dos anos 2700 aos 3300

O que já era ruim entre os anos 2200 e 2600, ficou pior. Agora era sobrevivência extrema e nada mais. O ser humano só buscava uma morte menos terrível até sua queda final, de certa forma, em vão.

Anos 2700

As atividades vulcânicas ficaram cada vez piores, trazendo consigo mais e mais tremores de terra. Para quem quer que more debaixo da superfície, esses tremores são ainda piores que quando eram percebidos lá em cima.

Os oceanos já não davam mais conta da enorme quantidade de lava que os vulcões ejetavam. Suas águas começaram a ficar venenosas dada a quantidade de gás carbônico e outras substâncias criadas durante a interação com a lava cuspida pelos vulcões.

A vida marinha, a única que ainda conseguia sobreviver de certa forma sem auxílio humano nesses últimos séculos, passou a sofrer enormemente com o aumento da temperatura das águas oceânicas e do vertiginoso número de substâncias surgidas.

Água do mar, em certos locais onde as erupções vulcânicas eram mais frequêntes, estava chegando ao ponto de tornar-se ácido, matando todo tipo de vida marinha nesses hotspots.

Anos 2800

Cada vez mais cientes de sua sucumbência, a humanidade passou a buscar maneiras de preservar todo seu conhecimento e evoluir inteligência artifical, de modo que pudessem prologar suas vidas de forma artificial. Mais uma vez, buscando saídas alternativas ao invés de soluções para os problemas existentes.

Focando o máximo na evolução da tecnologia para que fosse possível a transferência da mente humana para um corpo de silício, boa parte desse século foi um esforço conjunto das regiões em que ainda preservavam alguma capacidade de investir em pesquisa e desenvolvimento.

Corpos de sílico foi o nome dado porque, assim como computadores possuem processadores feitos de silício, a unidade lógica central desses corpos robôticos também foi pensada para utilizar silício. O corpo em si, na verdade é um amalgamado de materiais capaz de gerar movimentos tão complexos quanto os ossos e a carne humana eram capazes.

Anos 2900

Já no século de 2900, a humanidade continuou sua busca pelo tão sonhado corpo de silício funcionar de verdade. Para seu azar, duas grandes notícias ruins surgiram e diminuiram ainda mais a pouca esperança de achar alguma saída para o que passavam:

1. O Terrformer

Um mega projeto de terraformação de uma lua de Júpiter iniciado no ínicio dos anos 2100, deixou de dar sinais sobre seu trabalho. O projeto, décadas antes do seu lançamento, foi capaz de identificar que tal lua tinha 95% de chances de obter uma atmosfera que suportasse vida terrestre, desde que ouvesse um tempo mínimo de transformação.

Acreditava-se que seria necessário cerca de 300 anos de terraformação dessa lua para suportar vida humana, porém, levou quase três vezes mais e, agora, parou mandar imagens e informações do projeto.

O que se acreditava era que, de alguma forma, o robô máquina responsável pelo processo de terratransformação ficou preso em alguma cratera enquanto sua bateria estava fraca. Junto a isso, devido sua rotação e a translação de tal Lua ao redor de Júpiter e subsequente translação de Júpiter ao redor do Sol, ficara sem energia e não foi mais capaz de recargar apropriadamente.

Mesmo quando teve chance de leve recarga, logo ficava sem energia, sendo suficiente, apenas, para enviar sinais esporádicos e fracos, que sequer chegavam à Terra.

2. Alta nas temperaturas

Embora o Terrformer tenha sido um baque e tanto, dado o tempo que estava tomando para terminar seu trabalho de terraformação, não foi algo que tirasse o resquício de vontade dos últimos grupos de pesquisadores e estudiosos.

A alta de temperatura global para uma média de 75 graus Celsius, por outro lado, foi um banho de água fria. Todos trabalhavam em busca de um corpo de silício que aguentassem temperaturas entre 85 e 90 graus Celsius sem necessitar de resfriadores próprios para manter seu fincionalmento, tal qual computadores precisam de resfriamento para poderem continuar performando por períodos mais longos, não superaquecerem e acabarem destruidos.

A velocidade com que a temperatura estava subindo – cerca de dois graus e meio a cada 100 anos – traria "apenas" mais mil ou dois mil anos. Obviamento, essa projeção seria válida apenas se o projeto já estivesse em prática, o que não era o caso.

Anos 3000

O que se viu após as duas grandes más notícias dos anos 2900 foi uma queda vertiginosa na resiliência humana e na vontade de fazer o ser humano perdurar. O mote, agora, era viver o que era possível.

Os poucos governos restantes apenas recomendavam às pessoas a passarem o máximo possível de tempo com seus parentes. Enquanto uns tentavam seguir esse caminho, outros não viam mais motivo para fazê-lo e buscavam mais destruição, caos e morte.

Inúmeros casos de suicídio coletivo surgiram. Mortes por veneno, por gases, por ida à superfície... E cada novo caso o número de mortes aumentava. Pela metade do século, apareceram falsos profetas levando milhões e milhões de pessoas para a superfície. Casos assim eram noticiados semanalmente.

Já próximo do final do século, a população mundial estava em aproximadamente 850 milhões de pessoas. Números equivalentes aos dos anos 1750-1800.

A comida sintética já estava faltando devido ao diminuto número de pessoas responsáveis por manterem as máquinas ou com conhecimentos suficientes para tal. A clonagem de animais há decadas tinha cessado. Canibalismo passou a fazer parte do noticiário mundial com frequência assustadora.

Mesmo com políticas públicas que tentassem coibir tal prática, era notório que tal prática criara raízes e não sumiria mais. Os últimos cinco anos do século, alguns dos poucos governos restantes passaram a aceitar tal prática desde que houvesse consenso entre as partes.

Anos 3100

No começo do século, a prática do canibalismo continuou crescendo gradativamente enquanto a população mundial continuava seu declínio. Pouco antes dos anos 3130, a prática já estava tão difundida e aceita que começou-se a perceber os sinais retardados dos efeitos do canibalismo entre humanos.

Doenças estavam cada vez mais imunes a possíveis tratamentos e suas transmissividade estavam cada vez maiores e alarmantes. Doenças como AIDS, H7N12, COVID-2815-s4 e várias outras que portadoras tentavam manter invisíveis para o resto do mundo, se alastravam após seus portadores serem comidos por outras pessoas.

Novos surtos de doenças desconhecidas surgiam a cada ano. Sem cientistas buscando vacinas e meios de contê-los a população foi dizimada. De 850 milhões nos anos 3000, o número caiu para algo em torno de 50 milhões em um século.

A humanidade chegara a seu fim. Os poucos sobreviventes não sabiam o que fazer e apenas continuavam fazendo qualquer coisa até sua morte e de seus parentes.

Anos 3200

Logo no início dos anos 3200, com uma população de apenas 10 milhões de pessoas, a temperatura alcançou a média de 100 graus Celsius e o último prego no caixão da humanidade foi dado. Algumas décadas depois, perto dos anos 3270, as últimas almas que ainda restavam pereceram.

A humanidade, que entre os anos 2000 e 2030 teve seus maiores avanços na sociedade, tecnologia, e todo o resto, acabara e apenas deixava como legado estruturas metálicas acima e abaixo da superfície, sondas espaciais – que ainda navegavam o cosmo sem ter mais com quem se comunicar – e uma Terra dizimada, com alguns poucos animais e plantas super resistentes.

Anos 3300

Por incrível que pareça, as estruturas de geração de energia elétrica através do calor continuavam a funcionar, mantendo a vida de alguns animais que ainda estavam em cativeiro, recebendo rações sintéticas.

Essa mesma energia ainda era capaz de manter alguns poucos bunkers ativos. Sem vida humana, mas com toda sua estrutura funcional, enviando e captando sinais do cosmo, e mantendo ativa a internet.

Se algum ser humano voltasse à vida, ficaria espantado como toda essa estrutura ainda existe e não há quem possa aproveitar ou com quem compartilhar. E sabe-se lá se a Terra terá uma outra chance de ver vida como a humana novamente.


E por hoje é só. Na parte 3, trarei os 2 séculos finais e o início do século 3600. Espero que tenham curtido até aqui. Até a próxima parte!